terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Disfarça e chora

Com esse sorrisinho meigo no rosto, você passa a mão no meu queixo e pede pra eu ficar bem. Como se fosse possível. Como se fosse fácil. Como se fosse uma escolha.

Engraçado é que eu vivi tanta coisa antes, mas parece que só estive bem de verdade com você. E o êxtase, todos meus sonhos e planos foram ao chão. E o chão se despedaçou embaixo de mim, enquanto eu tentava cair de pé no abismo escuro.

Você me pede pra ficar bem, como se pedisse um beijo, num susurro carinhoso em meu ouvido. Naquele arrepio. Me pede pra ficar bem, como se pedisse mais. Ofegante. Suspirante. Sobre mim. Na cama. Com o corpo suado. Quente. Trêmulo.

Como se, deitada no meu peito, depois da explosão de sensações, me pedisse um cafuné. Como quem pede um banho quente e cama. Como quem pede, de manhã, só um café.

Sem malícia ou culpa. Sem medo ou escárnio. Ironia ou ressentimento. Inocente, apenas, você me pede pra ficar bem.

E eu, que sempre fiz tudo o que você pedia, fico impotente. Fico ciente de que não é por sua vontade que esse nó involuntário na garganta vai se tornar um sorriso. O sorriso, uma gargalhada. A gargalhada, sintoma de alegria.

Não é porque pediu. Não me peça pra ficar bem. Não me peça mais nada. Não tem mais esse direito.


*Texto de Wellington Borges - http://coisasqueeuqueriadizer.blogspot.com/

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