É madrugada de quinta para sexta. Há cerca de cinco horas Kléber Barbosa da Silva jogou um monomotor, onde também estava sua filha, contra o estacionamento do Flamboyant. Até ai nenhuma novidade. Mas nessas horas temos a mania de pensar com se sente a família dele, ou da criança. E mais, como está a cabeça da mãe da menina, que foi agredida um dia antes pelo mesmo Kleber. Uma criança inocente, de cinco ou seis anos, que teve a vida ceifada por um psicopata. Pois bem, eu prefiro imaginar o que pensava esse psicopata...
Eu vi esse avião sobrevoando Goiânia, eram mais ou menos 18h05. Tinha acabado de sair da Tv e estava indo pegar ônibus para chegar até a faculdade. Achei estranho uma aeronave tão baixa, e com um helicóptero atrás. Outras pessoas viram o caça da FAB que acompanhava o monomotor, mas esse eu não vi. Agora chego a pensar que talvez Kleber tenha cogitado a idéia de se jogar contra a Organização Jaime Câmara. Pode ser loucura minha, mas como todo mundo odeia aquela empresa, não duvido de nada.
Durante os flashes de imagens dos poucos segundos que vi o avião fico pensando no que pensava Kleber. No local perfeito para matar mais pessoas? Onde causaria mais impacto? Talvez ele tenha pensado demais, a dúvida consumiu Kleber. Se ele realmente quisesse matar tantas pessoas, como estão dizendo por ai, ele não teria esperado o combustível acabar, pois assim como acabou acontecendo, o avião não explodiu. Ou queria ele ter um velório digno? Por que com o corpo carbonizado isso seria impossível.
O que pensava Kleber ao saber que iria matar sua filha? Será que ele tinha consciência que aquela criança não tinha culpa de nada que possa ter acontecido de ruim na vida dele? Será que ele tinha consciência real de quem estava com ele naquela aeronave?
De uma coisa eu tenho certeza, desde o inicio ele sabia que não pisaria mais em solo firme. Já roubou o monomotor com o suicídio planejado. As causas? Ninguém sabe ainda. E talvez ninguém nunca saiba, pois Kleber está morto, e só ele poderia dizer passo a passo tudo o que pensou e que fez.
Digo-lhes que ele morreu sabendo que iria morrer, o que não significa que estava consciente de seu ato. Pois, creio eu, ele não estava em seu estado normal. Então fico me perguntando o que Kleber pensava sobre isso ou sobre aquilo? E chego a seguinte conclusão: Kleber não pensava!
