sexta-feira, 13 de março de 2009

Os pensamentos de Kleber

É madrugada de quinta para sexta. Há cerca de cinco horas Kléber Barbosa da Silva jogou um monomotor, onde também estava sua filha, contra o estacionamento do Flamboyant. Até ai nenhuma novidade. Mas nessas horas temos a mania de pensar com se sente a família dele, ou da criança. E mais, como está a cabeça da mãe da menina, que foi agredida um dia antes pelo mesmo Kleber. Uma criança inocente, de cinco ou seis anos, que teve a vida ceifada por um psicopata. Pois bem, eu prefiro imaginar o que pensava esse psicopata...

Eu vi esse avião sobrevoando Goiânia, eram mais ou menos 18h05. Tinha acabado de sair da Tv e estava indo pegar ônibus para chegar até a faculdade. Achei estranho uma aeronave tão baixa, e com um helicóptero atrás. Outras pessoas viram o caça da FAB que acompanhava o monomotor, mas esse eu não vi. Agora chego a pensar que talvez Kleber tenha cogitado a idéia de se jogar contra a Organização Jaime Câmara. Pode ser loucura minha, mas como todo mundo odeia aquela empresa, não duvido de nada.

Durante os flashes de imagens dos poucos segundos que vi o avião fico pensando no que pensava Kleber. No local perfeito para matar mais pessoas? Onde causaria mais impacto? Talvez ele tenha pensado demais, a dúvida consumiu Kleber. Se ele realmente quisesse matar tantas pessoas, como estão dizendo por ai, ele não teria esperado o combustível acabar, pois assim como acabou acontecendo, o avião não explodiu. Ou queria ele ter um velório digno? Por que com o corpo carbonizado isso seria impossível.

O que pensava Kleber ao saber que iria matar sua filha? Será que ele tinha consciência que aquela criança não tinha culpa de nada que possa ter acontecido de ruim na vida dele? Será que ele tinha consciência real de quem estava com ele naquela aeronave?

De uma coisa eu tenho certeza, desde o inicio ele sabia que não pisaria mais em solo firme. Já roubou o monomotor com o suicídio planejado. As causas? Ninguém sabe ainda. E talvez ninguém nunca saiba, pois Kleber está morto, e só ele poderia dizer passo a passo tudo o que pensou e que fez.

Digo-lhes que ele morreu sabendo que iria morrer, o que não significa que estava consciente de seu ato. Pois, creio eu, ele não estava em seu estado normal. Então fico me perguntando o que Kleber pensava sobre isso ou sobre aquilo? E chego a seguinte conclusão: Kleber não pensava!

quarta-feira, 4 de março de 2009

O masoquismo esportivo e o esporte educacional

Praticar qualquer esporte competitivamente nunca foi, não é e jamais será divertido, muito menos saudável. Mas é viciante e, também, educativo!

Penso que vocês sabem que eu nado. O que talvez alguns não saibam é que dos 20 anos de vida que tenho, 16 foram e/ou são dentro de uma piscina. Tá certo que nunca obtive resultados de expressão nacional, nunca fui uma nadador badalado, mas posso me orgulhar em dizer que conheço os dois lados do esporte. São eles o competitivo e o de lazer, que trás consigo as questões de saúde e educação. Aliás o quesito educacional está nos dois lados.

Esse ano tem muitos amigos voltando a treinar aqui em Goiânia. Graças ao Campeonato Brasileiro Master, que será realizado aqui em nossa capital no final de abril. E ver um treino desses não é nada animador. Ver um ser humano chegando ao seu limite físico é um tanto quanto nojento. Aí muitos pensam: pra que isso? Primeiro, atletas vivem de desafios, e nadar em casa, como nós vamos nadar é um baita desafio, pois lá estarão nossos pais, amigos, namorada e afins. Segundo, que decorre do primeiro, ser desafiado por um treinador. "Você não vai conseguir" ou mesmo um incentivo positivo "vai valer a pena, vamos ser campeões brasileiros", para um atleta ouvir um desafio ou um incentivo é a melhor coisa do mundo.

Mas eu falei tudo isso para chegar ao seguinte ponto: a parcela da população que desportista profissional é mínima. Mas mesmo para estes o esporte pode fazer milagre, principalmente naqueles quesitos que citei no início. Por isso fiquei contente em saber do projeto de Lei que tramita no Congresso Nacional em querer tornar a natação como matéria obrigatória na grade curricular. Pois, praticada de forma moderada e instruída, tal esporte pode melhorar sua saúde. Mas o objetivo maior, e talvez de maior importância neste momento, seja a melhora educacional que que nossas crianças vão ganhar. Ganharão concentração, disciplina e aprenderão que vencer e perder faz parte do show da vida. Serão, sem sombra de dúvidas, seres humanos melhores.

Parabéns a quem propôs o projeto (eu me esqueci agora qual deputado foi). Em pequenas atitudes assim eu ainda teimo em acreditar nos homens. Ainda vamos chegar em algum lugar!