sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Morena

Foi intenso, efêmero, porém intenso...

Apesar de certo grau de parentesco eram dois estranhos. Ela uma menina do litoral paulista, pele bronzeada, lábios grossos. Mas o que mais chamava atenção eram as duas belas esmeraldas, ou seriam dois belos olhos? Esmeralda é pedra característica da terra dele, Goiás. Ele é do coração do país, é alto, nem gordo nem magro, um cara comum.


Uma visita à família que fica no meio do caminho cruzou o caminho deles. Vitória foi o cenário do encontro. De cara me parece que eles não se deram. Salvo engano, sequer se cumprimentaram. Tempos depois ele me disse que já havia ficado encantado naquele primeiro momento. Discrição era algo que ela tinha, até demais. Mas em algum momento isso iria ruir.


Veio a primeira noite e com ela os primeiros sinais de que aquele fim de semana não seria apenas mais um. Os primeiros entreolhares, a primeira troca de palavras. Ele sentiu medo, e preferiu se acalentar em outro canto da casa. Ela estava mais a vontade, com suas primas também do litoral paulista. Se tudo continuasse assim nada ia acontecer, ambos sabiam disso.


O segundo e, também, último dia de visita à família reserva o que podemos chamar de surpresas. Ele foi alertado pelo seu pai de que não deveria atrever-se a nada. Mas quando viu aquela bela moça de olhos estonteantes, com os cabelos molhados, sentada ao seu lado, ele, pela primeira vez, sentiu que seria difícil sua tarefa de ficar quieto durante aquela tarde.


Chegaram a casa de um primo e lá voltaram a distanciar-se um do outro. Era um churrasco. Ele acabou se inturmando. Conversou sobre política, futebol, praia, trabalho...Quando a musica mudou e veio um forrozinho ele teve vontade de ir até ela, mas ficou só na vontade. Olharam-se mais algumas vezes. Ela se mostrava distante e ele, sei lá, talvez fosse um misto de covardia com medo.


Penso que os dois já estavam certos de que ela voltaria para São Paulo e ele para Goiás do mesmo jeito que vieram. Aliás, não do mesmo jeito, voltariam com um sentimento de vontade não consumada. Eu disse voltariam...


Ele passou pela sala, lá estava ela, deitada no colo de outro. Assistiam uma comédia romântica. Sugestivo não? Ele decidiu ir jogar baralho, tentar se divertir um pouco. Mas ao final do jogo ele percebeu que ela estava sozinha em um quarto ali do lado. O impulso foi mais forte do que a razão, e ele entrou no quarto. Ela estava deitada, ele deitou-se ao seu lado. Conversaram muito, ela fugiu, ele insistiu, ela cedeu, eles se beijaram.

Teoricamente esse seria o fim da história, mas algo me diz que esse é apenas o primeiro capitulo.