sábado, 30 de agosto de 2008

Eu vi Phelps


Galvão Bueno fala milhares de besteiras quando tenta comentar quaisquer competições esportivas. Mas em algo devo concordar com ele: vimos Phelps fazer história. Ele é o maior atleta olímpico de todos os tempos. Isso é uma verdade irrefutável.

Michel Phelps é um ser anormal. Tem um pé do tamanho de um pé de pato (artifício utilizado por nadadores durante treinamento), tem as pernas mais curtas, o que facilita sua hidrodinâmica, tem os pulmões maiores do que o normal, isso auxilia na sua flutuabilidade. Resumindo, ele é quase um ser humano feito em laboratório.

Phelps esteve na sua primeira Olimpíada em 2000, em Sidney. Naquela oportunidade o norte americano tinha 15 anos. Foi para ser campeão dos 200 borboleta. Por questões psicológicas, o até então desconhecido Michael Phelps, acabou na 5ª posição. Mal sabia o mundo o que iria acontecer nos próximos oito anos.

Ele foi a Athenas e ficou com seis ouros, uma prata e um bronze. O sonho e bater o recorde de sete medalhas de ouro da lenda Mark Spitz havia sido adiado. A imprensa lamentou, muitos desportistas lamentaram. Mas Phelps não! Disse não se importar com isso e seguiu sua linha de treinamento (pelo menos aparentemente). Ele cometeu erros graves, como quando foi preso embriagado dirigindo seu carro. Ian Thorpe, para mim nadador mais técnico dos últimos 15 anos, chegou a criticar muito Phelps por tal atitude.

Eis que Michael Phelps se reservou para o Cubo D’água. E lá ele só não fez chover. Contou com a colaboração de Jason Lesak no 4x100 livre. Mas isso é detalhe, o que todos vão lembrar é das suas oito medalhas de ouro, dos seus oito recordes mundiais. E do IMBATÍVEL MICHAEL PHELPS nas Olimpíadas de Pequim 2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

Minha velha infância

Ser nostálgico nem sempre é bom. Você pode se tornar prisioneiro de momentos vividos e que, normalmente, ficaram lá atrás, sem nenhuma perspectiva de retorno. Mas (sempre tem esse maldito “mas” nos meus textos), tem algo melhor do que sentar com um velho amigo numa sexta-feira à noite, beber 10 cervejas e relembrar seu ensino fundamental? Não, não tem...

Muita gente passa pelas nossas vidas, muitos momentos que parecem ser bobos e efêmeros acabam ficando marcados justamente por essa espécie de inocência que nos cerca quando somos crianças. Eu iria escrever adolescente, mas lembrei que ainda me considero um. E dentre essas pessoas e momentos fica a primeira namorada, o primeiro beijo escondido atrás da sala de aula. E quando você roubou o anel da sua mãe para tentar impressionar a garota? O pior de tudo é quando isso da errado...

Quantas e quantas tardes juntos, fingindo fazer o trabalho de Geografia. Na verdade o assunto são os novos jogos de vídeo game, a próxima capa da playboy... O futebol nas aulas de Educação Física, cinco para cada lado, às vezes até rolava apostar uma coca-cola dois litros. E pensar que tudo que somos hoje está direta ou indiretamente ligado a aquela maldita conversa na fila da cantina, a aquela cantada super mal dada, mas que por incrível que pareça deu certo. Mas mesmo quando não da certo você aprende o que não deve falar. E a gente acaba lembrando de quando nossa maior preocupação era a prova de matemática. Se as contas de telefone ou de água estão atrasadas pouco importa. Muito mais importante que isso é saber qual a música da moda, qual o filme da sessão da tarde, o que ela respondeu no caderno de perguntas da menina da sua sala. Hoje isso nem existe mais, o Orkut te conta tudo.

Doce infância...outro dia meu brother Zé escreveu em seu blog (coisasqueeuqueriadizer.blogspot.com) um texto falando da sua bela infância na fria Anápolis. Isso me fez relembrar tanta coisa...as visitas ao Planetário com a escola, as horas em cima do pé de manga com eu primo fantasiando futuros namoros, as tardes de sono, os primeiros capítulos de Malhação. Nada isso faz parte do meu cotidiano hoje, e fico triste por isso. Parte da identidade criada na infância se perde com a hipocrisia e idiotice dos adultos, talvez por isso eu insista em dizer que ainda sou adolescente.

Hoje apenas sinto saudade de não ter responsabilidades, de jogar bola todo dia, de tremer ao ver a menina entrando na escola...saudade de ser criança, de viver com inocência. Melhor, saudade da época em que eu realmente vivia.