sábado, 20 de setembro de 2008

Todos são heróis

Tenho visto muita gente criticar os meios de comunicação pelo fato da falta de cobertura nas Para-Olimpíadas. E a argumentação costuma ser a mesma: eles sim são heróis, pois superam seus limites. Pois bem, devo discordar da grande maioria dos brasileiros.

Não estou aqui para tirar o mérito de nossos atletas para-olímpicos, muito pelo contrário, sou fã deles. Genericamente, todos possuem uma história de vida sofrida, e enfrentam diversas dificuldades para obter seus índices ou vagas na maior competição mundial. Treinar é algo monotono, chato mesmo. Imagina passar quatro anos treinando em busca da perfeição em uma único torneio? Na boa, só quem foi ou é atleta olímpico pode nos descrever essa situação. Agora imagina isso tudo somando-se uma deficiência física ou mental. Desculpe-me senhoras e senhores pelo palavreado, mas é foda!

Porém, um detalhe, deficiente compete com deficiente, e pessoas totalmente perfeitas competem com outras pessoas perfeitas. Isso é fato!

Então, cada macaco no seu galho. E sim, os nossos atletas "normais" também são heróis. Se você acha que não experimente abdicar da sua vida por conta de um esporte. Experimente deixar de ver seus filhos crescerem por conta de um esporte. Experimente passar horas e horas do seu dia sentindo dores por conta de um esporte. Experiemente deixar de comer todas as guloseimas que você adora por um esporte.

E sabe a qual conclusão você vai chegar ao fim de tudo isso? Ou se ama o esporte ou é impossível realizar o sonho de todo atleta. Ou se sofre muito ou nadica de nada de Olimpíada. Ou você é um herói ou você não é um atleta.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

O dom da sobriedade (parte II)

Lembra que no texto passado falei que a sobriedade nos faz perceber alguns detalhes que passam batidos quando estamos bêbados? Pois bem, isso ta começando a ficar rotineiro e engraçado.



Primeiramente quero demonstrar minha indignação com a imensidão de compromissos sociais que estão me aparecendo nesse meu momento sóbrio. Penso que todo mundo resolveu dar festas e churrascos só porque sabem que eu não vou poder tomar nadinha. Mas eu já falei, dia 1° de dezembro logo chega...



Eu continuo indo aos churrascos, festas e afins. Agora bebendo coca-cola. Mas preciso crer que não sou tão ridículo quando bebo quanto o pessoal que eu tenho visto por ai. Parece-me que o povo perde o senso das coisas. Não conseguem conversar de forma adequada, começam a falar umas asneiras que de tão idiotas ficam engraçadas. Outro dia estava numa festinha onde estavam também umas gêmeas verdadeiramente belas. Me pareciam até abertas a uma ficada e tals. Mas os caras insistiam pelo lado errado da coisa. Isso tudo graças ao bendito (leia-se maldito nesse caso) álcool. Acho desnecessário comentar o resultado né?



Eu vi ali todos os erros que eu cometo quando não estou sóbrio (logo estou bêbado). Talvez eu esteja começando a gostar de não beber. Isso vai me ajudar muito daqui pra frente. Mas confesso que não está fácil meus caros. Já não agüento mais ver coca na minha frente. Viva a variedade do La Fruit!



Ficam então umas dicas aos meus estimados amigos: não tratem as mulheres como uma garrafa de vodka, muito menos de cerveja. Não pense que é só você que quer somente uma ficada rápida. E, principalmente, você não é o melhor cara do mundo!

sábado, 6 de setembro de 2008

O dom da sobriedade

Não me responsabilizo pela qualidade dos textos postados nesse blog. E sim, eu mesmo vou continuar escrevendo, mas agora de uma maneira diferente, a qual escrevi somente um ou dois textos até o presente momento. A partir de hoje até o dia 30 de novembro escreverei tudo no meu estado sóbrio. Pode parecer besteira, mas acredito que vocês notarão muita diferença.


Desde o dia 1º de setembro até o dia 30 de novembro estarei em recesso alcoólico. Não pense que me sinto bem com isso, mas é ócio do ofício. Acho que a única pessoa que está comemorando essa minha fase é o Zé. Tadinho, não aguentava mais beber todo santo dia. Férias para o fígado!


Não é a primeira vez que faço isso, creio que não será a última. Porém é a mais longa até hoje. E essas duas primeiras semanas são terríveis. A vontade de beber é forte, contudo suportável. Eu sei que tem muita gente por ai apostando que não vou conseguir. Pobres mortais, vão perder seus míseros centavos...


Como disse ali em cima, essa “dieta” não é fácil. Ontem mesmo fui a uns barzinhos. Todo garçom que trazia cerveja para a mesa colocava um copo para mim. Todo mundo me olhava quando eu pedia um refrigerante ou uma água com gás. Chegaram a insolência de pedir leite com toddy para eu tomar. Mas pode esperar, dia 1º de dezembro já já chega e eu vou descontar tudo isso. O pior de tudo foi chegar casa por volta de 4h30 da manhã sóbrio. Foi uma experiência nova, e eu não gostei muito.


Mas analisando friamente depois eu vi que não foi uma noite totalmente perdida. Quando se está bêbado deixa-se escapar certos detalhes que mais tarde podem fazer toda diferença. E qual o resultado desse turbilhão de coisas? A sobriedade é um dom, meus jovens. Conseguir ficar sério nesse mundo tão voraz não é para qualquer um. Por isso peço uma salva de palmas aos que são ou estão sóbrios!

sábado, 30 de agosto de 2008

Eu vi Phelps


Galvão Bueno fala milhares de besteiras quando tenta comentar quaisquer competições esportivas. Mas em algo devo concordar com ele: vimos Phelps fazer história. Ele é o maior atleta olímpico de todos os tempos. Isso é uma verdade irrefutável.

Michel Phelps é um ser anormal. Tem um pé do tamanho de um pé de pato (artifício utilizado por nadadores durante treinamento), tem as pernas mais curtas, o que facilita sua hidrodinâmica, tem os pulmões maiores do que o normal, isso auxilia na sua flutuabilidade. Resumindo, ele é quase um ser humano feito em laboratório.

Phelps esteve na sua primeira Olimpíada em 2000, em Sidney. Naquela oportunidade o norte americano tinha 15 anos. Foi para ser campeão dos 200 borboleta. Por questões psicológicas, o até então desconhecido Michael Phelps, acabou na 5ª posição. Mal sabia o mundo o que iria acontecer nos próximos oito anos.

Ele foi a Athenas e ficou com seis ouros, uma prata e um bronze. O sonho e bater o recorde de sete medalhas de ouro da lenda Mark Spitz havia sido adiado. A imprensa lamentou, muitos desportistas lamentaram. Mas Phelps não! Disse não se importar com isso e seguiu sua linha de treinamento (pelo menos aparentemente). Ele cometeu erros graves, como quando foi preso embriagado dirigindo seu carro. Ian Thorpe, para mim nadador mais técnico dos últimos 15 anos, chegou a criticar muito Phelps por tal atitude.

Eis que Michael Phelps se reservou para o Cubo D’água. E lá ele só não fez chover. Contou com a colaboração de Jason Lesak no 4x100 livre. Mas isso é detalhe, o que todos vão lembrar é das suas oito medalhas de ouro, dos seus oito recordes mundiais. E do IMBATÍVEL MICHAEL PHELPS nas Olimpíadas de Pequim 2008.

sábado, 2 de agosto de 2008

Minha velha infância

Ser nostálgico nem sempre é bom. Você pode se tornar prisioneiro de momentos vividos e que, normalmente, ficaram lá atrás, sem nenhuma perspectiva de retorno. Mas (sempre tem esse maldito “mas” nos meus textos), tem algo melhor do que sentar com um velho amigo numa sexta-feira à noite, beber 10 cervejas e relembrar seu ensino fundamental? Não, não tem...

Muita gente passa pelas nossas vidas, muitos momentos que parecem ser bobos e efêmeros acabam ficando marcados justamente por essa espécie de inocência que nos cerca quando somos crianças. Eu iria escrever adolescente, mas lembrei que ainda me considero um. E dentre essas pessoas e momentos fica a primeira namorada, o primeiro beijo escondido atrás da sala de aula. E quando você roubou o anel da sua mãe para tentar impressionar a garota? O pior de tudo é quando isso da errado...

Quantas e quantas tardes juntos, fingindo fazer o trabalho de Geografia. Na verdade o assunto são os novos jogos de vídeo game, a próxima capa da playboy... O futebol nas aulas de Educação Física, cinco para cada lado, às vezes até rolava apostar uma coca-cola dois litros. E pensar que tudo que somos hoje está direta ou indiretamente ligado a aquela maldita conversa na fila da cantina, a aquela cantada super mal dada, mas que por incrível que pareça deu certo. Mas mesmo quando não da certo você aprende o que não deve falar. E a gente acaba lembrando de quando nossa maior preocupação era a prova de matemática. Se as contas de telefone ou de água estão atrasadas pouco importa. Muito mais importante que isso é saber qual a música da moda, qual o filme da sessão da tarde, o que ela respondeu no caderno de perguntas da menina da sua sala. Hoje isso nem existe mais, o Orkut te conta tudo.

Doce infância...outro dia meu brother Zé escreveu em seu blog (coisasqueeuqueriadizer.blogspot.com) um texto falando da sua bela infância na fria Anápolis. Isso me fez relembrar tanta coisa...as visitas ao Planetário com a escola, as horas em cima do pé de manga com eu primo fantasiando futuros namoros, as tardes de sono, os primeiros capítulos de Malhação. Nada isso faz parte do meu cotidiano hoje, e fico triste por isso. Parte da identidade criada na infância se perde com a hipocrisia e idiotice dos adultos, talvez por isso eu insista em dizer que ainda sou adolescente.

Hoje apenas sinto saudade de não ter responsabilidades, de jogar bola todo dia, de tremer ao ver a menina entrando na escola...saudade de ser criança, de viver com inocência. Melhor, saudade da época em que eu realmente vivia.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um dia (talvez) eu fui bom nisso...

Há algumas semanas conversava com um amigo que não vejo tem um tempinho. Ele é alguns anos mais velhos que eu, sempre foi o pegador da galera. Dae eu perguntei como estavam as gurias e ele me disse "já estou naquela fase de dizer: um dia eu fui bom nisso". Achei um tremendo exagero. Oras, um rapaz de 26 anos dizer isso...não entrava na minha cabeça. Hoje eu entendi o que ele sente, o que ele quis dizer.

Os anos se vão e com eles perdemos muitas de nossas habilidades juvenis. Mas parece que insistimos em não acreditar nisso. Queremos continuar com o pique dos nossos 17 anos, beber como nos 18, ter mulheres como nos 20. E não é bem assim que a banda toca, para nossa tristeza, é claro. É de se considerar também algumas melhorias, não somos tão ágeis como outrora, mas com o tempo e a experiência ficamos mais hábeis. Nossas características mudam, ontem éramos os melhores em alguma coisa, hoje alguém nos superou...é a lei da vida meus caros.


Mas tudo isso pode ser apenas uma fase, podemos voltar a ser bons. Tem uma série de coisas que levam os seres humanos a passar por fases ruins. Trabalho, faculdade, vida afetiva, e mais uma pá de coisas. Eu não vou ficar aqui enumerando as lamúrias humanas. É preciso um tanto quanto de sensibilidade para identificar se é fase, ou se já e foi o seu tempo.Mas posso dizer-lhes: nada está tão ruim que não possa piorar.

Talvez, ou quase com certeza, logo mais me arrependerei de escrever isso, mas...

Viva, como se fosse o último minuto. Ame, como se fosse a última vez. E beba como se fosse a primeira, porque devéras, um dia será.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Felicidade Realista (Mário Quintana)

A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar a luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinônimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormenta e provoca inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
Belo Texto de Mário Quintana.