quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Crônica de uma despedida

Ainda me lembro da cena: meus amigos se entreolhavam cabisbaixos e falavam consigo mesmos: “Como isso foi acontecer? Ele era tão jovem!”. A minha despedida foi discreta, mas foi comovente para aquelas pessoas mais próximas. Meu pai? Ninguém o tinha avisado. Minha mãe? Essa estava alheia à situação, como se ainda não tivesse entendido. Meus amigos? Ah, esses sim! Em seus olhares era possível ver o esboço de saudade que começava a se formar.


O ambiente dispensava velas e coroas de flores. O silêncio por si só revelava o clima tenso que pairava no ar. Se minha mãe pudesse falar uma última coisa pra mim, certamente diria algo como: “Eu falei que você nunca deveria ter feito isso”. Sua intolerância não poupava ninguém, nem na mais mórbida situação. Por cobrar demais de mim, acabei me afastando dela e substituindo o colo materno pelo ombro dos amigos.

A cada dia eu fazia um amigo novo. Eram amigos da faculdade, do trabalho, do passado, da rua. Enfim, eram amigos. Não que eu fosse uma pessoa fácil, que se entregava a estranhos sem receios, mas eu me apaixonava pelas singularidades de cada pessoa e as transformava em alvos de minha admiração. Talvez seja por isso que eles foram os que mais se abalaram com a notícia. A pergunta em suas mentes ainda não se calava: “Como isso foi acontecer? Ele era tão jovem!”.

Durante toda a minha vida sempre fui de lua. Em certos dias preferia a vivacidade do vermelho, em outros dias me alegrava com o brilho do amarelo, ou, quem sabe, com a profundidade do azul. De vez em quando escutava e mostrava pros meus amigos como o pagode podia ser poeticamente rico. Também o fazia com o sertanejo. Às vezes, fechava os olhos e começava a filosofar sobre o rock das décadas de 50, 60 e 70. E, como não podia deixar de ser, compartilhava os meus devaneios com todos.


Foi com os meus amigos que aprendi a tocar a campainha e sair correndo. Também me ensinaram que solidão não é estar sozinho, é estar no meio de mil pessoas e sentir falta de uma e que bom mesmo são as coisas pequenas da vida. Frequentemente, eles me convidavam para lugares onde eu não queria entrar. Mostravam-me coisas engraçadas; coisas tristes e os mais diversos tipos de coisas.


Com muitas dessas pessoas eu compartilhei sorrisos e lágrimas; dividi momentos; registrei-os em fotos e mostrei pra todo mundo. Pra muitas dessas pessoas eu mostrei um pedaço da minha personalidade e, no outro dia, eu mostrei outro pedaço, e outro, e outro, e outro. Demorei anos pra chegar onde estava e, em poucos segundos, tudo se foi. Os amigos ficaram pra trás. As histórias se perderam no esquecimento. E o que restou foi apenas o olhar triste de todos, se perguntando como aquilo tinha acontecido.


Se eu pudesse voltar no tempo, faria tudo de novo, mas agora é tarde. Ainda me lembro com dor no peito como foi triste apagar meu Orkut.


Por Lucas F. Bauduíno

sábado, 15 de novembro de 2008

Estou ficando cansado...

Adoro futebol. Além de ser algo intríseco na cultura nacional, é uma paixão que surgiu em 97. No auge dos meus míseros nove anos de idade fui apresentado ao Serra Dourada, meu templo, e ao Goiás Esporte Clube, meu amor. De lá para cá chorei, sorri, tomei chuva, tomei sol, me envolvi em brigas e tentei apaziguar outras. Viajei, conheci outras cidades e estádios, outros times, outras seleções...enfim, me tornei um viciado por futebol.


Há cerca de dois anos o futebol deixou de ser meramente uma paixão e tornou-se meu ganha pão. Primeiramente como repórter do Portal Esmeraldino, depois na equipe de esportes da Tv Anhanguera. E foi nessas duas experiências profissionais que eu realmente conheci o futebol. Que decepção!


Não dá para descrever tudo aqui, não seria ético também. Mas é uma situação constragedora ir para o Serra trabalhar, ver torcedores empolgados, confiantes que o time fará um bom jogo, e você sabe que o time não jogará bem, falando em bom português,você sabe que o jogo foi comprado. É difícil assistir um São Paulo x Botafogo, e ver o trio de arbitragem meter a mão no time carioca. Ali quem entende minimamente de futebol percebeu que o título de campeão brasileiro de futebol em 2008 já tem dono. E não faz muito tempo que um outro time da capital paulista sagrou-se campeão utilizando o mesmo artifício.


E coitado do torcedor comum (como eu fui até dois anos atrás). Ele pensa que os jogadores se doam em campo, que sempre estão dispostos a vencer. Jogador de futebol é o ser humano mais depravado que conheço. Eles são muito piores que os políticos, por exemplo. Por que futebol é paixão, sentimento sem controle. E todos aprendemos muito cedo que não devemos brincar com sentimento de ninguém. Mas esses filhos da puta esquecem disso assim que calçam as chuteiras.


Isso aqui está muito mais para um desabafo do que para um texto. Mas estou me cansando de tudo isso! Talvez o mais indignante seja não poder sair gritando aos quatro ventos o que se passa nos bastidores das empresas, chamadas clubes de futebol. Mas eu só quero dizer a você, torcedor, não se mate mais por futebol. Valorize seu tempo, seu dinheiro. Futebol é bom, você pode gostar de futebol. Mas tenha a consciência que o futebol não está nem ai para você!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mas as vezes tudo é como queremos

Sei lá quantos posts atrás eu disse que nem tudo é como nós queremos. E citei alguns fatores que me levam a acreditar nisso. Um deles, talvez o principal, seja o destino. E foi esse santo, ou maldito, sei lá o que. Enfim, foi o destino que me provou que, as vezes, as coisas podem dar certo.

Nada, absolutamente nada, surge do próprio nada. Essa é uma lição que, penso eu, devemos carregar. Tudo tem um porque, mesmo que este não esteja aparente. Talvez é o tal do destino agindo. Temos apenas que deixar os momentos acontecerem, se sobreporem a ultrajada razão.

Disso tudo é que surgem os momentos inesqueciveis de nossa curta existência. Dae resta a nós sabermos se queremos estender ou não esses momentos, se isso vale a pena e blá blá blá... Mas eu continuo achando que o mais importante é chegar ao fim de tudo tendo a convicção de que fizeste o melhor. Sempre lute para ser o melhor!

Eu tentei fazer e ser o melhor de mim, não sei se foi suficiente. But let's go baby, um dia eu acabo descobrindo. E se isso não acontecer hoje a culpa não é minha nem sua. É apenas o destino.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Seja o que Obama quiser


Bem vindo, não quer você precise disso.

Boa sorte, disso sim você vai precisar, de muita por sinal.

Tire as tropas do Iraque, seje homem para isso.

Crie novos Phelps, é só manter a estrutura.

Por fim, parabéns Barack Obama, tu é foda!

domingo, 2 de novembro de 2008

Massa é igual a Hamilton


Hamilton e Massa são iguais. O título conquistado pelo inglês hoje não se deu porque um é melhor que o outro, mas sim por conta da maior eficiência da McLaren diante a Ferrari.

O campeonato, penso eu, não foi decidido hoje. Nos dois primeiros GP’s o brasileiro não pontuou, isso fez uma puta diferença. Depois veio o mais surreal de tudo: erros

grotescos da Ferrari. Para quem viu esses mecânicos na era Schumacher foi difícil ver Massa preso a uma mangueira de reabastecimento. Ali visualizamos não só uma corrida, mas o trabalho de todo um ano ir pelo cano, ou pela mangueira. Talvez nessas três corridas onde a escuderia italiana errou Hamilton tenha tido a certeza de que, além de ser um excelente piloto, tinha a equipe mais constante a seu lado.

O piloto inglês tem seus méritos, evidentemente. Mas que ele contou com uma boa colaboração da Ferrari isso ninguém pode negar. Hamilton deixou o titulo escapar de 2007 no mesmo circuito de Interlagos, e por pouco o raio não caiu duas vezes no mesmo lugar. Glock não teve culpa, foi sorte de Hamilton e azar de Massa, coisas do esporte. Aliás, existe sim um culpado pela não vitória de Massa: Ferrari!

O mais importante de tudo isso é que hoje o brasileiro sabe que tem por quem torcer na Fórmula 1. Voltaremos a assistir e nos emocionar aos domingos. Que saudade eu estava de ouvir o idiota do Galvão gritar o nome de um brasileiro tão forte na F1.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Nem tudo é como queremos

De fato nunca fui de acreditar muito nessas coisas de destino, sempre achei que nós fazemos nosso futuro. Mas tem aqueles dias em que você muda totalmente de teorias, que nada mais faz sentido e tu vai buscar respostas em outros cantos.

Se não aconteceu é porque não era para acontecer! A única coisa que podemos fazer é chegar ao final de cada batalha (ou qualquer outra nomenclatura que você queria utilizar) sabendo que fizemos nosso melhor. Esse sentimento de dever cumprido talvez seja muito mais importante do que a satisfação de ter conseguido o objetivo.

Obviamente se ficares somente a tentar e nunca alcançar nada é porque algo de errado existe. Mas perder é normal meus caros. Infelizmente somente nos últimos tempos tenho enxergado isso. E não se perde por ser ruim, fraco, incapaz. Se perde porque alguém tem que perder e dessa vez fomos nós. E isso não implica, necessariamente, que haverá um vencedor. As vezes ninguém ganha. Engraçado isso né? Engraçado, porém real. A vida não é um esporte onde sempre teremos o medalha de ouro. Muitas vezes todo mundo perde, em outras situações encontram-se mais de um vencedor.

E mais um detalhe: lembra da nomenclatura “batalha”? Sabe por que o gosto dela? Ela transmite uma idéia de serviço inacabado. Segundo o velho dito popular “eu perdi a batalha, mas não a guerra”. Acredito que esse espírito persistente possa fazer a diferença entre o melhor e o que é apenas bom. Mas lembre-se: existem coisas que estão fora do alcance de nós, meros mortais.

E sim, começo a acreditar que o destino existe. Mas não custa nada tentar fazer com que ele jogue a seu favor!

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Um texto a quatro mãos

Ainda falta pouco menos de um ano e meio. Ou seja, lá se foram três anos, nove meses e dez dias. Ao final disso tudo, muitas coisas ficarão gravadas. Mas algumas delas já foram escritas.

Janeiro de 2006. Éramos 42. Hoje somos apenas 13. Talvez até o final de 2009 nem isso. Muita gente passou por nossa turma nesse tempo. Algumas delas deixaram suas histórias. Vamos relatar algumas.

No mesmo semestre em que começamos o nosso curso de jornalismo, aconteceu nosso primeiro fato épico. Um professor ateu e um aluno cristão protestante. Já dá pra imaginar o nível da discussão... Inesquecível, tanto para os cristãos quanto para os não cristãos.

Inesquecível o dia em que nossos amigos vomitaram por causa de uma bebida não convencional no 2° período. Nenhum deles nunca mais quis saber de Ypioca. E também no 2° conhecemos a música que hoje é nosso hino: Ah Wilson Vai! Ainda bem que o Alexandre já tinha saído da faculdade.

No 3°, fomos apresentados a ninguém mais ninguém menos do que o senhor Fayol (não querem que eu soletre né?). Experiência inesquecível, só não nos pergunte o que ele afirmava em sua teoria.

O 4°, sem trocadilhos por favor, nada além de um churrasco bem sucedido. Quer dizer, tivemos crises existenciais de namoradas (agora ex). Mas preferimos não discorrer sobre tal episodio. É necessário dizer apenas que a cerveja estava estupidamente gelada, e somente isso é inesquecível.

No período seguinte, nenhum churrasco bem sucedido, mas muitas cervejas geladas para suportar aquele que foi denominado, carinhosamente, como “o quinto dos infernos”. E, como amigos que somos, não desejamos um semestre tão filho da puta para ninguém.

Hoje vivemos uma realidade desconhecida no 6°. Uma ociosidade jamais vista na turma 2006/1 de jornalismo. Sabemos que nos próximos dois períodos um pesadelo chamado monografia irá nos assombrar.

Mas essa é uma história ainda a ser escrita, quem sabe, também, a quatro mãos.

Eu não escrevi essa porcaria sozinho, foi junto com meu brother Zé, dono de www.coisasqueeuqueriadizer.blogspot.com.